Calote do governo federal paralisa obras da Fiol e gera demissão
As obras da Ferrovia Oeste Leste (FIOL) no sul da Bahia, no trecho entre as cidades de Ihéus e Barra do Rocha, estão paradas e 1.500 trabalhadores foram demitidos. Os desligamentos começaram em no início de 2015 e terminaram em dezembro do ano passado, segundo informes do Sindicato da Construção Pesada na Bahia. Conforme a Valec, empresa responsável pela construção da ferrovia, apenas funcionários do setor administrativo estão trabalhando. A empresa anunciou ainda que, até novembro deste ano, vai fechar o escritório da Valec em Ilhéus. A construção da FIOL na Bahia também está parada ou com o efetivo de funcionários reduzidos em todos os lotes, desde Barreiras, no oeste do estado, até Caetié, no sudoeste da Bahia. No sul da Bahia, o Lote 1 da FIOL tem quatro frentes de trabalho e corresponde a 120 km, entre Ilhéus e o município de Barra do Rocha. No local, as obras estão paradas desde o fim do ano passado. Trilhos que vão compor a ferrovia estão empilhados e, além de britas, há muitos dormentes de concreto, que são as peças que dão apoio aos trilhos.
A obra da ferrovia começou em 2014, foi interrompida algumas vezes e parou definitivamente em dezembro de 2016. Depois que a obra parou, diversos moradores de Itapirama, no distrito de Gongogi, no sul da Bahia, ficaram desempregados. Eles trabalhavam na fábrica de dormentes, que ficava a 400 metros da entrada de Itapirama. Entre os desempregados está Gildásio Almeida. “A situação está difícil. A gente trabalha na roça, passa 15 dias a um mês parado. A gente se vira com o Bolsa Família que está ganhando”, disse.
Na comunidade de Itapirama moram cerca de 700 pessoas. O motorista Walmir Dionísio conta que, depois das demissões, muita gente se mudou do local. Walmir era encarregado da fábrica de dormentes e hoje trabalha como motorista. “Muitos saíram para São Paulo, para Minas e outros estão trabalhando com fazenda ou fazendo ‘bico’ também, inclusive eu”, contou. A Ferrovia Oeste Leste, com 1.527 km de extensão, vai interligar Figueirópolis, no Tocantins, às cidades baianas de Caetité e Barreiras, até chegar ao Porto Sul, em Ilhéus. O objetivo é transportar minério de ferro e escoar a produção de grãos do oeste da Bahia. A ferrovia faz parte do projeto do complexo intermodal, que prevê ainda a construção de um novo aeroporto e do Porto Sul em Ilhéus, que ainda não saíram do papel. Segundo o governo do estado, a obra do Porto Sul não saiu do papel por falta de verba. Em 2015, o Ibama liberou a licença ambiental que faltava para a obra sair do papel e autorizou retirar parte da Mata Atlântica para a construção do porto. Quinhentos hectares vão ser desmatados na região de Aritaguá, em Ilhéus. Foram seis anos de discussão até a licença sair. Ambientalistas protestaram contra o que eles consideram um investimento inadequado para a região, com grandes prejuízos para o meio ambiente. “É um projeto insustentável economicamente, financeiramente, socialmente, porque causa impactos para as comunidades que estão aqui. E do ponto de vista ambiental é um desastre, porque ele vai comprometer área de proteção ambiental, o oceano. Então é inviável”, opinou o presidente da instituição Floresta Viva, Rio Rocha. O governo do estado espera que as obras da FIOL e do Porto Sul possam ser retomadas a partir do meio do ano de 2018. Além dos R$ 5 bilhões que já foram gastos até agora, o governo acredita que serão necessários, no mínimo, mais R$ 9 bilhões para concluir uma parte da ferrovia, de Ilhéus até Bom Jesus da Lapa, fazer a construção do Porto Sul e colocar em operação a mina de minério de ferro em Caetité. Em setembro deste ano, o governador Rui Costa assinou um memorando com cinco empresas da China, com a expectativa de dar continuidade à construção da ferrovia.                                                                                                                                                                               (Fonte: TV Santa Cruz)