ACM Neto
Embora o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), negue com veemência que decidiu disputar o governo da Bahia em 2018, o democrata tem se movimentado no sentido de fortalecer sua candidatura ao Palácio de Ondina. O bahia.ba mostra que em, pelo menos, 10 vezes o gestor soteropolitano se articulou de olho no pleito do próximo ano. Se topar postular a administração estadual, ele terá que entregar o comando do Palácio Thomé de Souza para o seu vice, Bruno Reis (PMDB), e não poderá retornar.
1) ROMPIMENTO COM CÉLIA SACRAMENTO
Ao mirar 2018, o prefeito ACM Neto fez uma jogada arriscada no ano passado. O chefe do Executivo da capital baiana decidiu colocar, como vice, na sua chapa à reeleição, o então secretário municipal de Promoção Social, Bruno Reis (PMDB), e tirar a sua aliada Célia Sacramento (PPL). Ao eleger Bruno, Neto tentou agradar o PMDB – principal partido aliado – e colocar na prefeitura, se decidir ser candidato à administração estadual, um antigo escudeiro. A decisão do democrata provocou o rompimento de Célia, que decidiu postular o Palácio Thomé de Souza, mas viu o projeto ir por água abaixo. Na época, a ex-aliada fez duras críticas ao prefeito.
2) IDAS AO INTERIOR NA ELEIÇÃO DE 2016
Apesar de postular à reeleição na capital baiana, ACM Neto fez várias viagens ao interior na campanha do ano passado para apoiar seus aliados e fortalecer sua eventual candidatura em 2018. O democrata viajou para Alagoinhas, Camaçari, Lauro de Freitas, Vitória da Conquista, Cruz das Almas, Guanambi, Feira de Santana e outras. Além disso, chegou a gravar vídeos de apoio para outros coligados.
3) BRUNO REIS NA ARTICULAÇÃO POLÍTICA
Ao colocar o vice Bruno Reis na articulação política, o prefeito ACM Neto mais uma vez traçou sua estratégia para 2018. O cientista político e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Paulo Fábio Dantas Neto, ressaltou que, naquela função, Bruno tem um contato maior com vários atores. “Não apenas negociando com a Câmara, mas também com todos os atores sociais que se envolvem na questão da discussão da Câmara. Quando vai votar o projeto na Câmara, não é só apenas o vereador que se envolve, mas outros atores sociais, interesses empresariais e segmentos da sociedade, a depender de qual seja. Isso vai colocar o vice-prefeito em contato com o mundo real”, observou.
4) PREPARAÇÃO PARA BRUNO REIS SUBSTITUÍ-LO
Em seus discursos durante inaugurações de obras, o prefeito tem feito questão de ressaltar participação de Bruno Reis na administração para não criar um trauma aos eleitores soteropolitanos, caso decida deixar o Palácio Thomé de Souza. “Ele [Brunos Reis] não está comigo apenas em Luiz Alsemo, ele está comigo em toda a cidade, nas visitas aos bairros, pra cima e para baixo. Tá comigo lá no gabinete da prefeitura, e é impressionante como já conhece a cidade e os nossos problemas. Ele desenvolveu, ao longo dos últimos anos, ao meu lado, a capacidade de administrar e tomar decisões”, disse o democrata na entrega da geomanta na Travessa Portugal, em Luiz Anselmo, discurso que tem repetido em todos os eventos.
5) CRITICAS A RUI COSTA E AO PT
O prefeito de Salvador tem elevado as críticas ao governador Rui Costa (PT), seu provável adversário na eleição do próximo ano. Neto já condenou as áreas de saúde, educação e segurança do governo estadual. Ele chegou acusar o petista de tramar ovada contra ele e o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), na homenagem ao tucano na Câmara de Salvador. Sobre o PT, ACM Neto já acusou o partido de “saquear” a Petrobras e disse que a corrupção ajudou a eleger petistas.
6) ATRAIR ALIADOS DE RUI
Na tentativa de reforçar sua eventual candidatura, Neto e os aliados têm conversado com partidos da base do governador Rui Costa (PT) para atraí-los para o seu grupo. As negociações ocorreram, sobretudo, com o PR, onde tentou emplacar o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, no partido, o PP, o PSB e o PSD. No partido comandado pelo senador Otto Alencar, mantém relações muito próximas ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ângelo Coronel, que ajudou a eleger contra o então chefe da Casa, Marcelo Nilo (PSL).
7) VICE PRESIDENTE EM 2018
Para não atrapalhar o seu projeto ao governo do Estado, ACM Neto fez questão de acabar, na semana passada, os rumores de que pode ser candidato a vice-presidente e reforçou que quer trabalhar pela capital baiana e pela Bahia. “É claro que fico lisonjeado com essas informações que surgem, mas não serei vice de ninguém. Minha intenção, por enquanto, é continuar trabalhando por Salvador e pela Bahia”, afirmou ao site O Antagonista.
8) INTENSIFICOU IDAS AO INTERIOR
Depois de se cacifar como provável candidato a governador em 2018, ACM Neto resolveu intensificar suas idas ao interior baiano. No último final de semana, foi a Vitória da Conquista receber o Título de Cidadão da cidade. Antes, fez visitas a Jacobina e Cruz das Almas. Ao bahia.ba, Neto admitiu que vai ampliar sua agenda pelo interior.
9) NOMEAR ALIADOS NA PREFEITURA
Na sua segunda administração na prefeitura, Neto resolveu nomear aliados interioranos derrotados na campanha de 2016 no Palácio Thomé de Souza. Entre eles, estão o ex-prefeito de Santo Antônio de Jesus, Humberto Leite (DEM), e o ex-gestor de Amargosa, Rosalvo Sales (PV).
10) RELAÇÃO DA UNIÃO COM O MUNICÍPIO
Com a chegada de Michel Temer no Palácio do Planalto, a relação do prefeito de ACM Neto (DEM) com o governo federal melhorou e ele tem apostado na aliança para tentar fortalecer o seu nome no interior. Em Vitória da Conquista, prometeu “lutar junto ao governo federal pela liberação dos recursos necessários para a conclusão do aeroporto” da cidade. Já, ao prefeito de Cachoeira, Tato Pereira (PSDB), na semana passada, Neto garantiu que batalharia para levar o curso de Medicina para a cidade. Na ocasião, chegou a ligar para o ministro da Educação, e seu aliado, Mendonça Filho (DEM), para cumprir a promessa. 

                                                                   (Fonte: Bahia.ba)